Por Mércia A. Jesus e Cruz
Em
busca de flexibilização de espaço e de tempo, redução de distâncias e acesso de
inúmeras pessoas ao ensino público gratuito e de qualidade, o ambiente de
aprendizagem on-line apresenta-se como um novo espaço no qual há a
possibilidade de comunicação aberta e à distância.
Nessa
nova configuração do processo ensino-aprendizagem, objetivando uma EaD de
qualidade, surge um novo profissional, agente de extrema importância: o tutor.
Esse
trabalhador-chave da educação à distância tem como características positivas de
seu trabalho
flexibilidade dos espaços e tempos de trabalho,
mais autonomia para organizar os próprios locais e horários de realização das
atividades, possibilidades de mais tempo livre, de melhoria do letramento
digital, acessibilidade a mulheres-mães para ingressar no mercado de trabalho
remunerado enquanto acompanha a educação e o crescimento dos filhos, entre
tantos outros aspectos positivos. (Mill, 2008, p. 125)
Para
bem exercer o seu papel, o tutor deve priorizar a comunicação que mantém com
seu aluno, tornando-a efetiva e objetiva, transmitindo através dela a
aproximação, o compartilhamento e o calor humano. É preciso que este
profissional lembre-se sempre de que o processo comunicativo é o mais
importante em EaD e que não se pode medir esforços para evitar a evasão do aluno.
Por
estarem em um ambiente virtual, tutor e aluno têm a oportunidade de manter uma
comunicação mais eficaz que a presencial. Através da máquina, os diálogos
ocorrem mais livremente, sem qualquer tipo de preconceito, além de o aluno ter
a chance de escrever e reescrever, ler suas produções e expor suas ideias numa
nova configuração da palavra escrita entre escritor e leitor, que compartilham,
além de conhecimentos, experiências, sentimentos e emoções.
O
tutor é um aliado de seu aluno nesse processo; é o elo que une o aprendiz aos
conteúdos e atividades a serem desenvolvidas. Esse profissional, portanto, além
de incentivar os alunos na busca pela sua aprendizagem, incentivá-los a
prosseguir e superar suas dificuldades, também deve ser um especialista nos
conteúdos que deseja serem trabalhados por seus alunos.
Para
o sucesso desse processo, o feedback exerce função imprescindível. Esse
recurso, no entanto, não pode ser utilizado de qualquer forma. Dada a sua
importância, precisa ser rápido – feito antes da próxima atividade – completo,
específico, construtivo e positivo, indicando ao aluno se o mesmo está se saindo
bem ou não. Ao fazê-lo, o tutor deve, de acordo com Kerkra e
Wonacott (2000) in Mill, 2008, p. 122:
“separar
seus comentários respeitando as respostas do educando, sequenciando seus
comentários do geral para o particular. Apontar o que o aluno conseguiu fazer
primeiro para depois dar dicas de como melhorar o que já foi feito,
problematizando o que foi exposto para exercitar o processo de ‘pensar’ e o ‘refletir’
do aluno”.
Significa,
portanto, que ao tutor cabe a árdua – porém gratificante - tarefa de facilitador do processo
ensino-aprendizagem, formando alunos ativos, aptos a tornarem-se pesquisadores,
exploradores e usuários de informação, ao mesmo tempo em que primam pela
permanência do aluno no ambiente virtual.
Bibliografia:
MILL, Daniel;
ABREU-E-LIMA, Denise; LIMA, Valéria Sperduti; TANCREDI, Regina Maria Simões
Puccinelli. O desafio de uma interação de qualidade na Educação a Distância:
O tutor e sua importância nesse processo. Cadernos da Pedagogia, Ano 02,
Volume 02, Número 04, agosto/dezembro 2008.