segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O feedback na aprendizagem on-line: desafios, cuidados e possibilidades





Por Mércia A. Jesus e Cruz

            Em busca de flexibilização de espaço e de tempo, redução de distâncias e acesso de inúmeras pessoas ao ensino público gratuito e de qualidade, o ambiente de aprendizagem on-line apresenta-se como um novo espaço no qual há a possibilidade de comunicação aberta e à distância. 

            Nessa nova configuração do processo ensino-aprendizagem, objetivando uma EaD de qualidade, surge um novo profissional, agente  de extrema importância: o tutor. 

            Esse trabalhador-chave da educação à distância tem como características positivas de seu trabalho

flexibilidade dos espaços e tempos de trabalho, mais autonomia para organizar os próprios locais e horários de realização das atividades, possibilidades de mais tempo livre, de melhoria do letramento digital, acessibilidade a mulheres-mães para ingressar no mercado de trabalho remunerado enquanto acompanha a educação e o crescimento dos filhos, entre tantos outros aspectos positivos. (Mill, 2008, p. 125)


            Para bem exercer o seu papel, o tutor deve priorizar a comunicação que mantém com seu aluno, tornando-a efetiva e objetiva, transmitindo através dela a aproximação, o compartilhamento e o calor humano. É preciso que este profissional lembre-se sempre de que o processo comunicativo é o mais importante em EaD e que não se pode medir esforços para evitar a evasão do aluno.

            Por estarem em um ambiente virtual, tutor e aluno têm a oportunidade de manter uma comunicação mais eficaz que a presencial. Através da máquina, os diálogos ocorrem mais livremente, sem qualquer tipo de preconceito, além de o aluno ter a chance de escrever e reescrever, ler suas produções e expor suas ideias numa nova configuração da palavra escrita entre escritor e leitor, que compartilham, além de conhecimentos, experiências, sentimentos e emoções.

            O tutor é um aliado de seu aluno nesse processo; é o elo que une o aprendiz aos conteúdos e atividades a serem desenvolvidas. Esse profissional, portanto, além de incentivar os alunos na busca pela sua aprendizagem, incentivá-los a prosseguir e superar suas dificuldades, também deve ser um especialista nos conteúdos que deseja serem trabalhados por seus alunos.

            Para o sucesso desse processo, o feedback exerce função imprescindível. Esse recurso, no entanto, não pode ser utilizado de qualquer forma. Dada a sua importância, precisa ser rápido – feito antes da próxima atividade – completo, específico, construtivo e positivo, indicando ao aluno se o mesmo está se saindo bem ou não. Ao fazê-lo, o tutor deve, de acordo com Kerkra e Wonacott (2000) in Mill, 2008, p. 122:

“separar seus comentários respeitando as respostas do educando, sequenciando seus comentários do geral para o particular. Apontar o que o aluno conseguiu fazer primeiro para depois dar dicas de como melhorar o que já foi feito, problematizando o que foi exposto para exercitar o processo de ‘pensar’ e o ‘refletir’ do aluno”.

            Significa, portanto, que ao tutor cabe a árdua – porém gratificante -  tarefa de facilitador do processo ensino-aprendizagem, formando alunos ativos, aptos a tornarem-se pesquisadores, exploradores e usuários de informação, ao mesmo tempo em que primam pela permanência do aluno no ambiente virtual.

Bibliografia:
MILL, Daniel; ABREU-E-LIMA, Denise; LIMA, Valéria Sperduti; TANCREDI, Regina Maria Simões Puccinelli. O desafio de uma interação de qualidade na Educação a Distância: O tutor e sua importância nesse processo. Cadernos da Pedagogia, Ano 02, Volume 02, Número 04, agosto/dezembro 2008.

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